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Carro a vapor com a forma de um cavalo

Quando apareceram em São Francisco (Estados Unidos da América) os primeiros veículos a vapor, cerca de 1870, os cavalos espantavam-se perante esses monstros resfolegantes. Durante algum tempo reinou o caos nas ruas da cidade, pois as carruagens puxadas a cavalos desviavam-se desordenadamente em todas as direções sempre que um desses veículos aparecia.

A solução foi encontrada por um inventor, de nome S. R. Mathewson, que construiu um carro a vapor com a forma de um cavalo, que podia deslocar-se a 12 km/h. A locomotiva, patenteada em 1876, era a gás, pelo que não expelia o fumo que assustava os cavalos. Aparentemente a ideia resultou e a ordem foi restabelecida.

Sidewinder: o domínio do fogo

O projétil, denominado sidewinder, criado para a Marinha norte-americana, possui um sistema de detecção tão sensível que é capaz de descobrir e atingir, a uma distância de 100 metros, um cigarro aceso. No entanto, esses dispositivos destruidores desempenham atualmente um novo papel, de natureza mais pacífica – e destinado a salvar vidas.

A tecnologia adotou com êxito o invento para descobrir e combater incêndios incipientes, antes que estes atinjam proporções catastróficas. Um novo dispositivo, que um bombeiro pode segurar na mão, é capaz de detectar focos de incêndio ocultos por detrás de paredes, indicando com precisão a fonte do perigo e onde atravessar a parede de modo a sufocar imediatamente o incêndio.

O primeiro WC do mundo foi usado por Isabel I de Inglaterra

Como poeta amador, John Harington não tinha êxito, mas quando se tornou inventor e concebeu o primeiro WC do mundo ganhou os favores da realeza.

Afilhado de Isabel I de Inglaterra, fora banido da corte por ter feito circular uma história escabrosa. Durante o seu exílio – que se verificou entre os anos de 1584 e 1591 – construiu uma casa em Kelston, perto de Bath, onde instalou a primeira sanita com autoclismo, a que chamou Ajax.

Finalmente, a Rainha-Virgem perdoou-lhe, e em 1592 visitou Kelston. Tendo experimentado a invenção, esta agradou-lhe e encomendou uma.

Harington escreveu um livro sobre o seu water closet, descrevendo o recipiente com uma abertura no fundo fechada por uma válvula revestida de couro.

Um sistema de manivela, alavancas e contrapesos fazia a água correr de uma cisterna e abrir a válvula.

Mas o público não partilhou do entusiasmo de Isabel. Preferia os bacios, frequentemente despejados das janelas para a rua. Em França e em Portugal eram, respetivamente, habituais os gritos «Gardez I'eau!» e «Lá vai água!», antes de se proceder ao derramamento do seu conteúdo sobre as vias públicas.

Só em 1775 foi registada a patente de uma retrete munida de autoclismo, concebida pelo londrino Alexander Cummings e que apresentava semelhanças com o Ajax de Harington.

Mas a água escorria através da válvula primitiva de Cummings. Só em 1777 a noção de uma válvula esférica ocorreu a um tal Samuel Prosser.

O desenvolvimento da técnica do WC recebeu grande incremento do Parlamento em 1848, quando uma lei de saúde pública determinou que todas as casas construídas a partir de então deveriam possuir «um WC, retrete ou sanita».

Whitcomb L. Judson e o primeiro fecho de correr

O primeiro fecho de correr, inventado em 1893 por Whitcomb L. Judson, um engenheiro de Chicago, não correspondeu, lamentavelmente, ao nome da sua marca: C-Curity (Se-gurança).

O sistema de engrenagens de dentes apresentava o inconveniente de abrir ou emperrar frequentemente.

Em 1913 um engenheiro de origem sueca, Gideon Sundback, transformou a ideia de Judson numa indústria no valor de largos milhões de dólares. Sundback introduziu uma série de cortes por detrás dos dentes (à esquerda), que permitiam uma engrenagem mais firme e segura.

O fecho de correr modificado de Sundback tem sido aplicado nos mais diversos campos – desde a agricultura à medicina. Já foi utilizado para proteger as patas de carneiros em zonas atingidas pela febre aftosa, e um cirurgião austríaco coseu um destes fechos ao estômago de um paciente para melhor o examinar.

Mary Phelps Jacob e o soutien-gorge

A debutante nova-iorquina que em 1914 inventou o soutien-gorge recebeu 15 000 dólares pela patente. Nos anos que se seguiram, a invenção deu a ganhar milhões de dólares, em número incontável, a fabricantes de todo o mundo e um mínimo de 15 milhões à companhia de espartilhos que comprou a patente.

A debutante, Mary Phelps Jacob, tinha um espírito inventivo e um profundo ressentimento contra os espartilhos que aprisionavam as mulheres do seu tempo. Uma noite, ajudada pela sua criada francesa, fez um soutien com dois lenços e alguma fita. A ideia agradou às suas amigas, mas Mary fracassou nas diversas tentativas que realizou com o objetivo de a comercializar.

A viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral: um sonho tornado realidade

A travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro foi inicialmente um sonho de Sacadura Cabral, a que aderiu entusiasticamente o geógrafo e capitão-de-mar-e-guerra Gago Coutinho.

Além da contingência de avaria no único motor do hidroavião, tornava-se necessária uma navegação rigorosamente científica e astronómica, dada a inexistência de qualquer ponto de referência intermédio na mais extensa etapa da viagem.

Na manhã do dia 30 de março de 1922, o hidroavião Lusitânia, levando a bordo Gago Coutinho e Sacadura Cabral, largou de Belém, rumo às Canárias, onde lhe foi prestada assistência. No dia seguinte, os dois homens seguiram para S. Vicente, Cabo Verde. Aqui esperaram por condições que lhes permitissem levantar voo e informações favoráveis do estado do mar junto do penedo de S. Pedro, onde os esperava o cruzador República.

Finalmente, largaram a 17 de abril para a praia de Santiago e daí, na manhã seguinte, para a grande aventura.

A menos de meio da viagem verificam o risco de o combustível se esgotar demasiado cedo.

Decorridas cerca de onze horas de ansiedade, com o combustível praticamente esgotado e em riscos de serem obrigados a descer no mar, Gago Coutinho descobre o penedo e o República.

Mais uma vez se provara a precisão do sextante modificado por Gago Coutinho, pois o penedo é um ponto insignificante na vastidão do oceano.

Porém, quando amaram junto do penedo, uma vaga arranca um dos flutuadores do Lusitânia, que se afunda irremediavelmente.

O Governo envia, a bordo do navio brasileiro Bajé, o hidroavião Fairey 16, que, em virtude da vaga larga, não era possível pôr no mar, sem perigo, nas proximidades do penedo de S. Pedro, pelo que o desembarque se processou na baía de Fernando de Noronha. Porém, e a fim de percorrerem integralmente o percurso predeterminado, Coutinho e Cabral realizaram por ar a viagem Fernando de Noronha-penedo e volta.

No regresso a Fernando de Noronha, devido a uma avaria grave no motor do Fairey, tornou-se necessário amarar com o mar revolto.

Às 23 horas e 45 minutos, os náufragos, divisando as luzes de um navio, disparam vários tiros com a pistola de sinais. Às 24 horas e 35 minutos o navio de carga inglês Paris City, que seguia rumo ao Rio de Janeiro, detém-se a 500 metros do Fairey 16.

O República, avisado do ocorrido e da posição do navio inglês, chega junto deste às 6 horas e 30 minutos e recolhe os aviadores a bordo.

O Fairey 16 já metia água pela asa direita e tinha os flutuadores quase submersos. Salva-se o motor, comunica-se o facto para Lisboa e aguarda-se a chegada do último Fairey que a Aviação Naval possuía.

Decorridos três dias, a viagem prosseguiu a bordo do Fairey 17, chegando os heróicos aviadores ao Recife, apoteoticamente recebidos, pelas 15 horas e 20 minutos; a 8 de junho chegaram à Baía; a 13, a Porto Seguro; a 15, a Vitória, e, finalmente, a 17 ao Rio de Janeiro, término da arriscada e gloriosa viagem.

Porquê Neandertal?

Ao atravessar um extenso vale verdejante na zona industrial do Ruhr, na Alemanha Ocidental, qualquer motorista poderia esperar encontrar homens das cavernas, de arcadas supraciliares protuberantes, perseguindo mamutes ou arrastando mulheres pelo cabelo, pois uma tabuleta rodoviária apresenta a seguinte indicação: «Neandertal.»

Foi no vale de Neander que, em 1856, foram encontrados ossos do homem de Neandertal – um elo que faltava na cadeia evolutiva entre o macaco e o homem.

Esses ossos foram desenterrados de uma pedreira por alguns trabalhadores, que, pensando que pertenciam ao esqueleto de um urso, os ofereceram a um professor da escola secundária local, Johann Fuhlrott. Quando este começou a reconstituir o esqueleto, compreendeu que os ossos pertenciam a um ser que normalmente caminhava ereto e que parecia consideravelmente mais avançado do que o gigantesco gorila africano, então recentemente descoberto.

Fuhlrott concluiu que esse animal representava um estádio intermédio entre os macacos e o homem e vivera 85 000 a 65 000 anos antes. Mas nos meados do século XIX era considerado blasfémia sugerir que o homem provinha do macaco. Segundo a Bíblia, interpretada literalmente, Adão e os animais tinham sido criados separadamente.

Fuhlrott mostrou as suas descobertas ao eminente antropólogo alemão Hermann Schaafhausen, de Bona. Estupefato, este exibiu o esqueleto numa reunião de cientistas que se realizou em Kassel, em 1857.

O relatório que Fuhlrott apresentou no encontro suscitou apenas o desprezo e a troça. O seu principal oponente era Rudolf Virchow, médico e antropólogo, que declarou que os ossos de Neandertal, embora de uma estrutura invulgarmente pesada, haviam pertencido a algum ser deformado pelo raquitismo.

Em 1859 o mundo da ciência foi abalado quando Charles Darwin publicou A Origem das Espécies, defendendo o evolucionismo e até certo ponto justificando a ideia de Fuhlrott do elo que faltava na cadeia evolutiva.

Virchow e os seus adeptos encontravam-se entre os milhares de cientistas de todo o mundo cujas teorias ruíram devido aos princípios enunciados por Darwin e à descoberta de restos ósseos semelhantes aos do homem de Neandertal, de Fuhlrott, em Gibraltar, França, Boémia e Morávia.

Provou-se que todas estas descobertas pertenciam ao último período interglaciário, que terminou há cerca de 65 000 anos.

Fuhlrott estava vingado... mas havia morrido. No entanto, em sua memória, o elo perdido que ele ajudou a identificar mantém o nome de Neandertal, o vale próximo do seu túmulo.

A maldição do faraó Tutancámon

Quando abriram o túmulo de Tutancámon, Howard Carter e Lord Carnarvon iniciaram uma cadeia de mistério extremamente sinistra. Vários homens ligados à descoberta tiveram mortes violentas ou invulgares – vítimas, segundo afirma a lenda, da maldição lançada pelo faraó.

A sinistra superstição é baseada em relatórios, não confirmados, de uma arrepiante série de acontecimentos que tiveram início no mesmo dia em que os dois arqueólogos e a sua equipa penetraram pela primeira vez no túmulo, em novembro de 1922. Segundo ela, apenas o último homem regressou à luz do dia, levantou-se uma tempestade de areia que remoinhou sobre a entrada da gruta. Enquanto a tempestade se afastava, um falcão, emblema real do Antigo Egito, teria sido visto a elevar-se sobre o túmulo finalmente descoberto em direção ao oeste – rumo ao misterioso «outro mundo» em que os Egípcios acreditavam.

Afirmaram os supersticiosos que o espírito do faraó morto lançara a sua maldição sobre todos quantos haviam violado o seu túmulo sagrado.

Cinco meses mais tarde, Lord Carnarvon, então com 57 anos, foi picado por um mosquito na face esquerda. A ferida infectou e, enfraquecido por uma septicemia, contraiu uma pneumonia. No momento em que morreu, num hotel do Cairo, à 1 hora e 55 minutos da madrugada, todas as luzes da cidade se apagaram. No mesmo instante, na sua casa em Hampshire, o seu cão começou a uivar e morreu em seguida.

Ainda mais estranho é que os médicos que examinaram a múmia de Tutancámon declararam ter encontrado na face esquerda do faraó uma depressão semelhante a uma cicatriz, correspondendo exatamente à ferroadela do mosquito que mordera o rosto de Lord Carnarvon.

Nos meses seguintes, no ano de 1923, atribuiu-se à mesma maldição fatal a estranha morte de vários outros visitantes do túmulo.

O meio-irmão de Carnarvon, Aubrey Herbert, morreu de peritonite.

Um príncipe egípcio, Ali Farmy Bey, cuja família se dizia descendente dos faraós, foi assassinado num hotel londrino e seu irmão suicidou-se.

George Jay Gould, um potentado dos Caminhos de Ferro Norte-Americanos, morreu de pneumonia depois de se ter constipado ao visitar o túmulo, e uma queda vitimou o milionário sul-africano Woolf Joel. Richard Bethell, que ajudou Carter a catalogar os tesouros, morreu com a idade de 49 anos, ao que parece vítima de suicídio. Alguns meses depois, em fevereiro de 1930, seu pai, Lord Westbury, que tinha no quarto um vaso de alabastro do túmulo do faraó, atirou-se de uma janela do seu apartamento em Londres e morreu.

Nos anos que se seguiram à descoberta do túmulo, em 1922, mais de uma dúzia de pessoas de algum modo com ela relacionadas morreram em circunstâncias misteriosas ou anormais.

Mas um homem continuou a zombar da lendária maldição do faraó – precisamente o homem que teria mais razão para a recear. Howard Carter faleceu em março de 1939, de morte natural.

No entanto, quando, em 1966, o Governo Egípcio concordou em enviar os tesouros de Tutancámon para Paris, a fim de figurarem numa exposição, Mohammed Ibraham, diretor de Antiguidades, sonhou que um perigo terrível o ameaçaria se permitisse a sua saída do país. Lutou tenazmente contra a decisão, até um último encontro que se realizou no Cairo com as entidades responsáveis, durante o qual foi obrigado a ceder. Ao sair da reunião, foi atropelado por um automóvel. Morreu dois dias depois.

Linhas de Nazca: sinalização no deserto

Apenas do ar é possível apreciar convenientemente os estranhos desenhos gravados na superfície do deserto de Nazca, no Peru, há mais de 1000 anos.

Num extenso planalto de 60 km, dominando as zonas irrigadas em que viviam, os índios nazca gravaram na terra árida calcinada pelo sol diversas formas estranhas e gigantescas reproduzindo lagartos, aves, mamíferos e flores.

Ligeiramente menos desconcertantes são as figuras geométricas – ângulos, triângulos e linhas retas de 8 km – que sulcam a superfície do deserto. Segundo alguns eruditos, estas formas constituíram eventualmente calendários astronómicos, através dos quais os Nazca calculavam as datas adequadas para procederem às sementeiras ou abrirem fossos a fim de recolherem as águas das chuvas.

Porém, e dado que estes símbolos apenas do ar podem ser observados numa verdadeira perspectiva, outros teóricos consideraram-nos possíveis sinais orientadores para visitantes de outros planetas.

O tesouro do navio espanhol San Pedro

Edward Tucker e o seu cunhado Robert Canton, que trabalhavam nas Bermudas na recuperação de navios e despojos submersos, descobriram alguns canhões numa cavidade funda da areia, entre dois recifes, a que não atribuíram grande importância. Trouxeram à superfície os canhões e alguns outros objetos provenientes de um antigo naufrágio espanhol, que venderam ao Bermuda Monument Trust.

Só decorridos quatro anos, em 1954, tendo regressado ao local providos de melhor equipamento, começaram a encontrar tesouros mais interessantes, escondidos há séculos.

Com dificuldade, conseguiram identificar os destroços como sendo os do navio espanhol San Pedro, que se afundara em 1595. No seu interior e rodeando-o, Tucker e Canton encontraram 2000 moedas de prata, jóias variadas e barras de ouro, além de uma série de armas de fogo que permitiu recolher várias informações sobre o navio naufragado.

Mas a descoberta cujo interesse excedeu o despertado por qualquer das outras foi um crucifixo dourado, de cerca de 8 cm de comprimento por 5 de largura, incrustado com 7 esmeraldas extremamente semelhantes.

O crucifixo foi identificado como uma cruz peitoral, símbolo da autoridade de um bispo. É considerado a peça unitária mais valiosa de todas as recuperadas do fundo do mar.