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Inseto coleóptero necrófago: agente funerário da Natureza

Um animal que executa uma estranha tarefa é uma espécie de inseto coleóptero necrófago. Quando se verifica a morte de um animal, o cheiro exalado pelo cadáver atrai este inseto, preto e cor de laranja, que, deitando-se de costas sob aquele, o remove até um local próprio para o enterrar. Depois, com a ajuda da fêmea, abre uma cova onde deposita lentamente o cadáver.

Usando a pelagem do animal como ninho, a fêmea desova num túnel que parte da câmara funerária. Quando os ovos eclodem, as larvas alimentam-se do corpo putrefacto até crescerem e se tornarem adultas, após o que saem para o exterior a fim de exercerem a função que lhes é própria de agentes funerários da Natureza.

Pseudoescorpião: «igloo» do tamanho de um dedal

O pseudoescorpião, de dimensões reduzidas, constrói um ninho semelhante a um igloo pouco maior que um dedal. O animal, que apresenta afinidades com o verdadeiro escorpião, tem 6 milímetros de comprimento e é desprovido de cauda e aguilhão; a estrutura que constrói em torno de si próprio é formada por grãos de areia e fragmentos de madeira e de pedra cimentados com uma camada de fios de seda.

Finalmente, na extremidade superior da cúpula já erguida, abre-se apenas um pequeno orifício, através do qual o pseudoescorpião sai para procurar novos materiais. Por último, o animal fecha também esse orifício e reforça as paredes internas da estrutura com nova camada de seda, antes de iniciar a postura dos ovos ou a muda da cutícula.

Globigerinas: construtoras minúsculas mas poderosas

A observação dos penhascos brancos de Dover ou dos depósitos de calcário do Mississippi permite verificar como as globigerinas (Globigerinoides sacculisera), minúsculos protozoários cuja concha tem apenas cerca de 0,4 milímetros de largura, alteraram a face da Terra.

Estes animais, denominados foraminíferos, são simples manchas de protoplasma que vivem no interior de conchas perfuradas por centenas de orifícios, através dos quais se projetam fios de protoplasma que recolhem alimento.

Quando os animais morrem, as suas conchas vazias depositam-se no fundo do mar, onde, após milhões de anos, se juntam, formando extensos bancos calcários.

Peixes-limpadores: fígaro dos oceanos

Os peixes-limpadores ou barbeiros agrupam-se para prestarem serviços a outros, estabelecendo a sua base numa abertura na rocha, perto de uma anémona-do-mar ou de uma esponja de cor brilhante, em frente da qual formam fila. Cardumes de peixes de maiores dimensões esperam a sua vez para serem limpos e recompensam os limpadores com alimento. Estes peixes devoram fragmentos de pele morta, parasitas, bactérias e fungos.

Os peixes que utilizam os serviços dos limpadores cooperam com estes, erguendo uma das coberturas das guelras para lhes permitirem a entrada e abrindo a outra para os deixarem sair, uma vez o trabalho executado. Mesmo os tubarões e outras espécies mortíferas deixam estes peixes penetrar nas suas bocas sem os atacar.

Peixes que vivem muito afastados no mar, tais como o peixe-lua, percorrem longas distâncias para terra a fim de recorrerem aos serviços dos limpadores.

Os transístores tornaram possíveis as viagens espaciais

A redução das dimensões dos circuitos elétricos – e de todos os mecanismos que deles dependem, desde os minúsculos aparelhos auditivos a computadores, televisores de linhas estreitas e naves espaciais – não teria sido possível sem a invenção dos transístores, em 1947.

Os três norte-americanos a quem este invento se deve, William Shockley, John Bardeen e Walter Brattain, receberam em conjunto o Prémio Nobel. Trabalhavam para os laboratórios da Bell Telephone em Nova Jérsia, onde tinham estado a investigar processos que permitissem uma ligação mais rápida das chamadas através de uma central telefónica.

A sua descoberta fundamental foi a de que um fragmento de germânio ou de silício podia amplificar a fala até 40 vezes.

Os átomos de algumas substâncias, tais como metais, mantêm os seus eletrões soltos, o que permite facilmente a indução de uma corrente elétrica. Outros materiais, como o vidro e a borracha, mantêm os seus eletrões coesos.

O germânio e o silício, situados numa posição intermédia entre estas categorias, são conhecidos como semicondutores. Os três investigadores descobriram que várias camadas de germânio ou silício, submetidas à ação de partículas de produtos químicos, aumentavam a voltagem de um impulso elétrico passado através delas.

As primeiras propostas para ligar Inglaterra e França

A primeira proposta para ligar a Inglaterra e a França por meio de um túnel sob o canal da Mancha foi apresentada, em 1802, pelo engenheiro francês Albert Mathieu, que considerava viável estabelecer, através de um túnel iluminado à luz de velas, o trajeto a percorrer, em menos de uma hora, pelos cavalos de posta, que puxariam diligências entre Dover e Calais.

Os trabalhos tiveram início em Abbotscliffe, perto de Folkestone, em 1881. Ainda é possível ver os restos desta aventura: um túnel húmido, de 2 metros de altura e cerca de 800 metros de comprimento, por detrás de um portão de madeira fechado, num banco rochoso e batido pelas águas do condado de Kent.

Os planos sugeridos para o Chunnel, como os jornais o batizaram, foram muitos e elaborados, como um caminho de ferro submarino passando por um túnel de ferro fundido, com torres para observação e ventilação, em forma de campanários, proposto pelo engenheiro francês Hector Horeau no ano de 1851.

Sears Tower: a jóia dos arranha-céus

O considerável aumento da densidade demográfica levou à construção das grandes cidades de arranha-céus norte-americanas de Nova Iorque e Chicago.

Já no Império Romano, contudo, se ergueram os precedentes dos arranha-céus, construções com cinco pisos, cujo rés-do-chão era ocupado por lojas que abriam para a rua e os andares superiores por casas com varandas.

O mais famoso dos modernos arranha-céus era o Empire State Building, concluído em 1932, de 375 metros de altura, que dominou a cidade de Nova Iorque até ser ultrapassado, em 1970, pelas torres gémeas, de 405 metros, do World Trade Center.

Em 1973 o World Trade Center foi suplantado em altura pela Sears Tower, em Chicago, de 435 metros, ou seja mais 30 de altura que o edifício anterior.

A Sears Tower tem 110 pisos e dispõe de espaço para escritórios com capacidade para 16 500 empregados, numa área que cobre 408 136 m². Mais de 17 000 toneladas de equipamento de refrigeração mantêm as dependências do edifício a uma temperatura de 22⁰C (72ºF) durante todo o ano.

A torre dispõe de uma estação própria geradora de eletricidade, subterrânea, que não só fornece energia elétrica para o edifício como reforça o sistema de abastecimento do centro citadino em redor.

O tanque Rato: vítima da sua corpulência

O mais pesado tanque jamais construído, com quase 6 metros de altura e uma blindagem frontal de 30 centímetros de espessura, pesava 180 toneladas. Tendo por nome de código o Rato, apareceu pela primeira vez em 1944, depois da derrota sofrida pelas divisões de tanques do Exército Alemão na frente russa.

Ante a possibilidade de competir com o considerável número de tanques russos que se opunham às suas forças, e que a enorme produção das fábricas soviéticas aumentava diariamente, Hitler ordenou ao Dr. Porsche – que projetara o pequeno Volkswagen – que criasse um couraçado terrestre, um tanque cuja proteção blindada maciça o tornasse invulnerável e que causasse um impacto maior do que qualquer tanque inimigo.

A fim de satisfazer estes objetivos, o Rato estava equipado com um motor Diesel de 1500 cv, accionando um gerador elétrico que fornecia energia a dois motores montados nos cubos das gigantescas lagartas do monstro.

Com a escotilha fechada, o Rato era totalmente à prova de água. Podia atravessar um rio de 12 metros de profundidade com o motor Diesel desligado, sendo os seus motores elétricos alimentados por um cabo ligado a outro tanque na margem. Uma vez atravessado o rio, invertiam-se os papéis, a fim de que o segundo tanque pudesse também efetuar a travessia.

Este engenho foi, porém, vítima do seu tamanho e peso. A sua velocidade máxima era apenas de 19 km/h. e quando percorria as estradas, durante as experiências, a vibração que provocava fez fender fundações, esmagou pavimentos e quebrou vidros de janelas em todas as cidades e vilas que atravessou.

Embora cada um dos seus rastos tivesse 90 centímetros de largura, a pressão exercida sobre eles era tal que o tanque se afundava em qualquer solo de consistência menos firme que terra bem seca. Devido a estes condicionalismos, o projeto foi, finalmente, abandonado.

Henry Bessemer e o navio contra o enjoo

Sir Henry Bessemer, inventor de um processo revolucionário de fabrico de aço, que viajava permanentemente entre a Inglaterra e o continente, sofria constantemente de enjoo durante as travessias. Por esse motivo projetou um salão oscilante que, com o auxílio de um arquiteto naval, R. J. Reed, foi incorporado num novo navio para a travessia do canal, o Bessemer.

O salão, situado a meio do navio, oscilava sobre um eixo fixo central e deveria manter-se sempre num plano horizontal, independentemente dos movimentos do navio. Não obstante, no alto mar oscilava tão violentamente que os passageiros no salão enjoavam mais do que aqueles que se encontravam na coberta superior.

Sir Henry introduziu então no salão um travão hidráulico, acionado manualmente por um homem que se sentava em frente de um nível de bolha de ar. Sempre que se verificassem balanços no navio, o homem devia controlar o movimento do salão. O resultado revelou-se ainda mais desastroso. Finalmente, o salão foi colocado numa posição fixa e o navio utilizado como qualquer embarcação convencional.

Lamentavelmente, tornava-se impossível dirigi-lo convenientemente. Na sua primeira viagem colidiu com o molhe em Calais, o mesmo acontecendo quando do regresso a Dover. Sir Henry vendeu-o para sucata, e o salão foi instalado no Colégio de Horticultura, em Hextable, no condado de Kent, onde foi finalmente destruído por uma bomba alemã durante a II Guerra Mundial.

Dracone: a serpente flutuante

A serpente flutuante é uma barcaça flexível – uma alternativa para substituir navios-tanques. Foi inventada em 1956 por um cientista inglês, W. R. Hawthorne, que lhe chamou Dracone – palavra grega que significa serpente. A enorme embarcação, de borracha resistente, podia ser cheia de petróleo e rebocada por um navio-tanque, imediatamente abaixo da superfície da água.

A ideia foi mais tarde adaptada num processo de transporte de água potável até às ilhas gregas mais distantes. Porém, como transportador de petróleo, o Dracone foi abandonado, por oferecer dois inconvenientes: só podia ser rebocado a uma velocidade muito baixa e, frágil como era, não podia transportar grandes quantidades – além do risco de poluição que se verificaria se rebentasse.